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Terça-feira, Julho 18, 2006
Saiu pela noite a procura de algo q desse sentido aos tantos sentimentos q assolavam suas entranhas. Sentiu o rosto quente, como se tivesse acabado de sair do banho, tateou o peito como quem procura algo no bolso da camisa. Tinha esquecido o maço de cigarros em casa, em cima da escrivaninha no escritório. Observando todas as pessoas que passavam a sua frente com um interesse jovial perguntou a uma jovem de cabelos vermelhos o que ela faria à noite, mais tarde, sem nem mesmo se apresentar. Ela olhou nos olhos dele, estranhando o gesto incomum do rapaz, sorriu e disse que iria assistir tv sozinha, como sempre fazia nas noites de sexta-feira, afinal a cidade não oferecia muitas opções de diversão q valessem a pena nem os 50 reais desperdiçados logo na entrada. Pensou estar perdidamente envolvida, e mesmo que não o conhece, mesmo sem saber sequer o seu nome, estava disposta a convidá-lo pra um copo de cerveja em sua sala de estar. A sala era compacta, com uma estante escura no canto, abarrotada de livros, uma mesa de centro que não se parecia com nada q ele já tivesse visto até o momento, com cds jogados em cima, os encartes abertos e uma folha com o rascunho de algum texto ou poesia. Quando acordou, viu-se deitado ao lado de uma mulher linda, as covinhas no canto da boca, nas duas bochecas rosadas, e um sorriso brilhante nos lábios carnudos. Parecia um anjo que viera lhe buscar. Contemplou por alguns instantes a mais, pensou q tinha muita sorte de ter encontrado alguém que lhe satisfizesse tanto, afinal nunca havia tido orgasmos como aqueles antes, com ninguém.
postado por @ Profetas do Word @ às 2:41 PM
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Quarta-feira, Junho 21, 2006
Lá estava ela de novo com aquele olhar triste. Ele sabia que para quem não convivia com ela, parecia que estava sempre feliz, sempre com um sorriso largo, aquela fala alta, sempre chamando a atenção e fazendo piadas nem sempre agradáveis, mas que fazia rir a maioria dos expectadores. Ele sabia que as coisas não eram bem como pareciam ser. Sentados no banco do ônibus, sem trocar palavra, ele observava ela olhando o mundo correndo do lado de fora. Olhando distante com seus olhos tristes, aqueles que ela se esforçava em esconder. Era como se naquele olhar ela revelasse o que realmente guardava dentro de si sem notar que ele estava vendo toda a sua tristeza exposta. Parecia que lhe faltava algo e ela buscava lá fora do ônibus esse algo que havia perdido. Subitamente, como se tivesse percebido que seu segredo havia sido revelado, ela olhou bem no fundo dos olhos dele e sorriu. Não era aquele sorriso largo, mas era o sorriso mais sincero que ela jamais havia dado, como se tivesse encontrado o que tanto procurava.
Por Amanda Beatriz
20.06.20062 2h:06min
postado por @ Profetas do Word @ às 1:14 PM
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